Fiquei por lá somente duas noites, um dia e meio. Não deu para ver muita coisa. Não recomendo fazer isso.
Copenhague tem um ar de cidade grande, com bastante comércio, bares e restaurantes, mas muitos lugares verdes também. O tempo não ajudou muito, já que choveu bastante.
Fiquei no hostel Generator, um destes gigantes, que pertencem a grandes cadeias, com muitos andares, um bar gigantesco. Tem gente que odeia esse tipo de albergue, tem gente que adora. Eu não estou em nenhum dos dois lados, acho que é uma questão de conveniência em alguns lugares ficar neste tipo ou do outro.
A parte boa é que conheci uma turminha legal. Um alemão, um americano, uma americana, um australiano e duas australianas. Fizemos pela manhã o Walking Tour pelo centro. A tarde, eu e o americano fizemos mais um tour pelo Pier, o Museu da Resistência (contra os nazistas) e fomos à Christiania.
Christiania merece um a parte. A ilha foi construída por um dos reis da Dinamarca para fortificar e proteger Copenhague. Na década de 60, ela foi desocupada pelos militares e ficou abandonada. Então, no começo dos anos 70, um grupo de hippies invadiu o lugar e criou uma comunidade anarquista livre da Dinamarca.
Lógico que ela continua sendo parte do país e o governo nunca gostou muito dessa história. Na entrada da comunidade tem um portal que diz “Christiania” para quem chega e “Vocês está voltando à EU [União Europeia” para quem sai.
Lá dentro, ninguém paga imposto, aluguel e as drogas são permitidas. O controle de tudo é feito pela própria comunidade, que a um certo ponto, por exemplo, resolveu banir as drogas mais fortes, como crack, LSC e outros, por causa do crescente número de overdoses, o que fez o governo reclamar.
O lugar parece um pouco amedrontador de início, com um pessoal meio estranho, mas é tudo bem tranquilo, pelo menos aparentemente. Um guia nos disse que há um tempo, a polícia resolveu invadir Christiania e fechou as casas que vendiam maconha. Só que o tiro saiu pela culatra, já que isso deu a oportunidade do crime organizado tomar conta. Tentou-se voltar atrás, mas o esquema ficou muito forte.
A noite fomos tomar algumas cervejas, que depois viraram vodcas. De manhã, de ressaca, lógico, peguei meu voo para Budapeste. De onde escrevo a partir de hoje.